domingo, 17 de junho de 2012

Antes

Tirar de mim algo que existe

Aparece quando me sufoco,

No Silêncio escuro

Claro, eu só percebo quando acontece

é sentir falta de ter as mãos cheias

Fechar os olhos

Olhar pra dentro

Respirar ar novo

 

cantarolar canções antigas

recordar o jeito de ler cartas amareladas

Ter nas mãos o passado,

e rasgá-lo

 

Lançar os pedaços ao vento,

assim me reinvento

substituo retratos

vou pra rua pra viver novas histórias

 

E ali eu aconteço, 

deixo olhares me invadirem

e sei que levam um pouco de mim

e deixam um pouco de sí próprias

 

quando vejo já não estou tão velho

tenho novas velhas histórias novas

já não me sufoco

uso minhas mãos vazias pra acenar do cais

3 comentários:

  1. Intenso, cara! Gosto muito dessa tua capacidade de mergulhar no passado como se tivesse ido à cozinha tomar um café e, depois de saboreá-lo,se sentisse renovado. Curioso é que "mãos vazias", "aceno do cais",indicam que você não se desvencilha de tudo,indicando que há coisas que ficaram para trás,mas são preciosas demais para serem deletadas. Um abraço.

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  2. Oh Ricardo, e bom demais ler isso! Realmente acabo por não me desvencilhar de tudo, essas "lembranças" tem lá seu valor... quando não me fazem mal, ficam guardadas em algum lugar!

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  3. Nunca nos desvencilhamos, parceiro.O que fazemos é agrupar o que foi bom para um lado e o que foi ruim para o outro. E, por incrível que pareça, ambos acabam nos servindo de alguma forma. Abçs!

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