quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Cremar

Existia um amor morto no meu peito
Foi deixado lá...
E eu que sou daqueles
que espera "mil corações deixados no portão"
não vi que o amor já era pálido
e perdera a pulsação

Cuidei de um amor morto por meses!
Cada dia mais pálido!
Frio, um olhar fosco, sem brilho!

Eu o maquiava! E passeava com ele nas ruas!
E quem me via de mãos dadas com o cadáver
ás vezes dizia:
- Quem passeia com amor morto, tem a alma vazia!

Comecei a perceber um mau-cheiro...
memórias mortas, sendo decompostas pelo tempo!
Eu orava por um milagre!
Que ele pudesse talvez ressucitar!
Quem sabe de novo
por mais um único instante
Me olhar...

A morte existe
Seca e séria
Certa e triste

Decidi cremar os restos daquele amor
um amigo me ensinou que:
"quando um homem acende uma fogueira,
ele sabe, que alguma coisa ali, há de se romper
definitivamente, há de se queimar pra sempre"...

Vi o fogo consumir
Todo resto de passado
e todo anseio de futuro

A vida não me fez promessas
Por isso não choro
Lanço no vento fragmentos
Do que um dia respirou e pulsou forte

E sempre "Soprar soprar soprar soprar"...

Pra alguns um mero arroto
pra mim uma lembrança, um sorriso!









domingo, 14 de dezembro de 2014

Semente

Que o seu sorriso tenha raízes profundas
Nascido da boa semente das escolhas
É que os frutos que colher,
sejam doces e que não te envenenem a alma

Que seu pé de escolhas
tenha tronco forte
que se mantenha de pé
mesmo quando os ventos da solidão soprarem

e que quando todas as folhas caírem
você ainda tenha seiva
que não morra seca
a espera de outros frutos...

Também tenho sementes de escolhas...
Mas ainda não foram plantadas
antes, eu preparo o terreno
cavo uma cova profunda...

E aprendo a ser amigo do tempo,,,
quero saborear meus próprios frutos
e que a espera do próximo sorriso
seja anciosamente calma
como a mãe que espera um filho

Dividirei os frutos que colher
com aqueles que souberam esperar
que calejaram as mãos
por que acreditaram nas minhas sementes

E se um dia quiser do meu fruto provar
Te lembrarei de um tempo passado
que aquela sua semente decidiu plantar
E do anseio que tinhas pra teus próprios frutos provar




sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cedo demais

Espero gestos
É em vão...
As mãos prendem,
passado...

Você não existe no meu instante,
não se recolhe em meu peito,
não quer que eu te proteja,
com minha fragilidade...

Aprendo a cada pequena desilusão,
é um copo de verdade que se enche,
a cada gota de sua ausência.
O copo já quase cheio, só me diz uma coisa:
- Não devo te esperar...

Quem espera sofre,
tenta mudar e reinterpretar
verdades cruas.
Fatos imóveis...

Queria que visse o que eu vi!
Você ia gostar!
Eu me alegrei por você!
A parte sua que ainda mora em mim!

Sei que é preciso seguir viagem
buscar novos destinos
O que me trouxe até aqui
de certo me levará a outros lugares
E que a mágoa se dilua como fumaça


Não sei até quando
E sei, que não será como desejo
mas aceito o que a vida me der, de bom grado!
E se até a vida passa...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Estação

Na estação eu espero
Quem sabe ela esteja
no último vagão
do último trem

Aqui faz frio
ninguém pra conversar
todos a espera
de alguém que partiu
e que pode nem voltar

descem pessoas
e enquanto te procuro
me perco, me afasto
A esperança quer partir
antes de você chegar

Talvez você não venha
Em nenhum vagão
E que na verdade eu tenha
Que colocar meus pés no chão

Espero até a força se exaurir
até o meu último sorriso
enquanto eu suportar o peso
dos meus sonhos

E depois. E depois?
Se não vier
está noite
Parto amanhã
no primeiro trem
parto como quem não quer partir
contudo parto
sem nada
deixo o que ainda sinto na estação
pra nunca mais por os pés
nesse lugar , que me lembra o esperar
ouço o apito do trem
é o último que me interessa...
depois disso, perco a pressa

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dor



Cansei de viver paixões.
Da anestesia dos sorrisos.
Meus olhos se cansaram das cores.
Cansei dos abismos que construí
e das celas que me abriguei

Cansei das coisas fartas
cansei de manter a ordem
Nadar contra corrente
cansei de ser forte

Do doce me cansei
dos sabores nem sei
sei que cansei
de dizer que sei e nem saber

Quero uma dor crua
Amarga e fria
Uma dor verdadeira
dor de uma noite
ou de vida inteira

Quero dor que seja minha
Não dor que seja sua
Dor nossa não serve
Não quero dor que seja leve

E a dor que nasce do desejo
possa curar outras dores.
muito irá morrer
para que o que sobrar
seja verdadeiramente
Vivo

sábado, 8 de novembro de 2014

Preciso de você

Sinto sua falta
Não sinto ânimo de fazer nada
desde que você foi embora
Foi assim de repente
eu acordei e pronto!
Você tinha partido
Eu sei que em parte
A culpa foi minha
Me descuidei de você...
Não foi da noite pro dia
Como você já estava aqui
eu me esquecia
Hoje sinto essa dor que não passa
essa pressão no peito
essa falta de ar
Preciso de você!
E sei que ainda resta um pouco de você em mim
Correndo nas minhas veias
e sinto que a maior certeza que tenho
é que se você for embora de vez
eu morrerei
Não me deixe!
Não me deixe!
Volte Saúde!
Volte!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

3 reais

Amizade. É tão comum usarmos o termo "amigo" que esquecemos a profundidade do significado dessa palavra. Eu tenho "oitocentos e lá vai pedrada" de ""Amigos"" no Facebook... Mas quantos deles são reais? Alguns mesmo virtuais são reais!
No meio de um turbilhão de coisas acontecendo o amigo é aquele que segura sua mão olha pra você e diz: - Cara! Você está fudido! Mas estou aqui para o que der e vier!
Eu tenho poucos amigos. Cabem na palma da mão. E por serem poucos dou-lhes o máximo de atenção que posso. A gente perde amigos também... e não há dor maior. Perdemos conversas, perdemos sorrisos, abraços, e perdemos toda uma infinidade de intimidades, coisas que só os dois entendem... mas não vou ficar nesse "chove não caga"...
A amizade torna a vida menos rasa, e mais rara, e por isso mais valiosa!
Um desses poucos amigos é Leonardo S. S. um cara sensacional, de uma sensibilidade incrível. Parceiro de alegrias e tristezas! Coloco-o em cada fria! Esse final de semana fui tocar em um casamento... lugar longe...
Chegamos mais cedo e ficamos em uma praça vendo o movimento das pessoas. Olhando carros, bundas, cães e crianças.
Estavam uma turma de crianças chutando garrafa... elas viam uma bola... mas eu que virei adulto enchergava uma garrafa...
E eu vi que o mundo foi me tornando sério... quadrado... e mesmo que eu lute contra isso, de alguma forma aconteceu! Eu via tantos "perigos" enquanto eles brincavam! Era o dedo passando perto das pedras. Era menino entrando debaixo da cama elástica! Meu olhar adulto só via o lado ruim das coisas...
Enquanto eu e Leonardo ríamos de tudo, ele teve uma idéia. Me chamou para atravessarmos a rua e me pediu 3 reais emprestado... Comprou uma bola de plástico e presenteou a mulecada...
Foram os 3 reais mais bem gastos da minha vida! Nasceu uma alegria rara ali. A garrafa milagrosamente havia se transformado numa bola. E a bola correu solta... E ninguém se machucou...
Se olhassemos mais ao nosso redor iriamos perceber que pequenos gestos podem mudar a realidade. Fazer um pouquinho... Um bom dia sincero. Um sorriso. Um abraço. Saírmos desse mundo "virtual" e ver o que acontece aqui fora, aqui dentro...
Quero o olhar que perdi, voltar a ver "bolas em garrafas"...

terça-feira, 21 de outubro de 2014

A cor normal dos dias

Fui passear comigo outro dia
Levei-me para ver lugares que costumava ir com ela
Não estavamos mais lá...
O lugar era bonito
Mas não havia a beleza de nossos corpos no gramado
O silêncio de uma goiabeira e uma casa abandonada
Sinto-me frágil e irracional quando choro
Sinto toda minha incapacidade de reconstruir coisas
Os dias vão passando e vou conhecendo o normal!
a cor natural dos dias
Parecem tão desbotados sem ela
ficaram fotos, uma caixinha com cartas, um broche e um pirulito
Se sobrou é por que não falta
Se ela não sente minha falta
deve ser por que lhe sobra dela mesma
Transborda de si mesma
Eu , vazio do que não tenho
ainda sim transbordo,
transbordo novas certezas, e faíscas de novos sonhos!
Sonhos agora menores, não por que eu não saiba sonhar grande
Mas o momento agora permite apenas que eu realize sonhos breves
E faz com que cada abraço seja uma entrega real e verdadeira
Roubando de mim um pouco dessa falta que às vezes transborda
Sou expectador, sou refém sou figurante de uma história que não escolhi viver
Paro e me pergunto: - o que faço aqui visitando meu passado?
Deixei o personagem principal no presente, sentado esperando seu novo papel
suas novas falas, gestos e histórias!
O normal da vida não tem tanta cor
Mas logo os olhos se acostumam
Eu sei que posso colorir meu próprio mundo,
com giz de cera, posso errar, colorir fora do traço,
se eu não gostar, refaço!
o que eu não tenho me falta
e o que me falta ás vezes transborda...
Sai pelos olhos, e atormenta-me ouvir sua risada...
quando na verdade sei que só habitam na casa eu e o silêncio
A cor que hoje me falta
ficará pra sempre perdida,
pois era na mistura que tais cores nasciam
eu não me entrego, prefiro as cinzas
do que viver cores de mentira
cores que alegram mas que no fundo satirizam
riem do meu sonho de amar
O normal pode ser cinza
isso não mais me abala
Pegue suas cores e ponha verdade na sua caminhada

domingo, 19 de outubro de 2014

RIO

Eu consegui ver o outro lado do rio,
mas ,não estou mais na sua margem...

sábado, 11 de outubro de 2014

Ser um novo Ser

mais de três anos sem fazer uma oração
viver numa eterna espera
pedi a Deus um novo coração
clamor de forma sincera

não quero de volta o que perdi
é o preço que eu pago
quero apenas ver o que não vi
um caminho iluminado

conhecer e sentir a força do perdão
a água doce bebida na fonte
ter humildade, joelhos no chão
não ser um ser que se esconde



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Acontece

Nos ensinam sobre sucesso e fracasso
Sobre vencer e perder
Diferenciam cruelmente macho e fêmea

Estão todos perdidos
Em copos de cerveja
Atolados em livros

Os risos capturados por celulares
as meninas de cabelo liso
e mentes enroladas

A busca pelo que não se conhece
cada vez mais distante do centro
a batalha de cada dia

um escudo ao que o outro diz
uma espada empunhada
pra contra-atacar com uma verdade pronta

Um mundo maquiado e podre
que ilude até pessoas maravilindas,
se perdem nessas "indas e vindas"

querem estar juntas e sozinhas
presas e libertas
querem o que está na moda querer

Emoção é coisa de gente fraca
de gente que não tem objetivo
ultrapassado, romântico, ridículo

se o homem chora, ele não serve
é frouxo, inseguro
mas se explode não serve, estúpido

qual sua nota?
foi pior do que eu?
Alá! Sou Melhor! Se fudeu!

Sou trocado por celulares à todo momento
e não entendo a indignação!
de quando troco as pessoas por "pau e corda" , violão.

Recebo cumprimentos sem entusiasmo
abraços frouxos
e sorrisos murchos

Mas todos pregam que estão felizes
-To na correria!
Tão corrido que não vê a vida passar...

queremos a balada, a noite!
ser vistos onde pessoas supostamente se divertem
pra onde na verdade seguem?

Amizade? Em qual site eu compro?
Conselho? Ainda não tenho esse aplicativo!
Abraço? Credo que carência!

Quase tudo que eu acreditava se desfez
nem me lembro a última vez
que eu acreditei em mim

Sou forte! Sigo só!
Independência ou pó?
E quando os que te apoiam forem embora?

As pessoas querem que você faça
Aquilo que não seria bom pra elas
te vêm de longe, debruçados na janela

Entenda,
de coisas vazias
já estou cheio...







terça-feira, 7 de outubro de 2014

Solrriso

Meu coração ainda alagado

Nuvens cinzas de lembranças ainda cobrem o céu

De repente surge o sorriso dela brilhante como o sol

Vento! Por favor! Venta,Venta,Venta!

Que a gente inventa um novo modo de amar...



sábado, 4 de outubro de 2014

Barriga

Tem gente que faz a barriga da gente doer de tanto chorar...

Tem gente que faz a barriga da gente doer de tanto dar risada...






Deixa doer!
Escolho sorrir!

domingo, 28 de setembro de 2014

Amanhã sendo

Ela foi embora e era noite
Foi sem estar perto
não vi seus passos sumindo na curva
foi
como quem já antes fora

Era noite e eu duvidei,
duvidei que na manhã seguinte
o sol nasceria

A noite foi calando-se
E eu vivi o momento mais sem luz
e quase em desespero
decidi fechar os olhos
e visitar a noite dentro de mim


Vi sem ver
luzes foram surgindo
como vagalumes no breu
e eu, já não sentia mais frio
eu já respirava,

Decidi manter meus olhos fechados
não existiria o dia
se não houvesse em mim alegria

Logo senti o calor dos raios de sol
tocando minha pele
secando minhas lágrimas
eu não precisei abrir os olhos
o escuro agora me acalmava
uma certeza agora eu tinha
era o sol dentro de mim que brilhava



sábado, 27 de setembro de 2014

Há briga

E tentando acertar eu abria meu coração
falava dos meus medos e dúvidas,
daquilo que eu ainda não era
mas que queria ser

Fiquei distante, senti-me moderno
por um instante,
pensei lhe agradar,
não fazendo tantos planos pro futuro,
mas torcendo pra ele chegar...

um tempo que pudesse existir
mais o "nós"...

errei tanto...
troquei pés pelas mãos
e hoje caminhar cause- me dor
e calos

Calo-me!
Já disse tudo a ela!
E depois a mim...

Sabe, eu não vi a rachadura
na parede de trás da casa,
perto da cangorra do pé de manga...
eu prestava atenção nas crianças correndo,
nos cães latindo!



Minha capacidade
não irá me permitir
entender tudo...
Então deixo o tempo passar...


Hoje ninguém mora lá!
E eu que antes tinha abrigo,
hoje brigo para me abrigar.


sábado, 20 de setembro de 2014

Vago

Tenho chorado,
um choro que só eu escuto.
o mundo se cala
e minha dor me acorda.
Os olhos perdidos no chão,
não buscam mais horizontes.
Sobrevivo.
Sinto cada batida do meu coração;
bate dentro do peito
como se quisesse sair,
sente o espaço do meu corpo, pequeno...
Deixo pra chorar à noite.
De dia coloco uma máscara,
um sorriso que combine com a camiseta...
Ah como meu mundo ficou pequeno!
Distraio-me ao som de uma viola caipira
Seu pontilhado faz cócegas no meu coração
Por um instante ele sorri...
Não traduzam “Saudade”...
Não definam esse sentimento!
Dar-lhe um nome já foi suficiente!
Recordar causa-me imensa tristeza,
pelo que podia ter sido e não foi,
pelo que se foi e não volta mais...
Choro, toda noite!
Um choro que só eu escuto.
Preciso secar meu olhos,
sem secar o coração.
Sei que um dia isso tudo irá passar
De uma forma ou de outra...
Vou indo como posso
um passo de cada vez,
Em sonhos eu te visito,
entro no seu quarto,
procuro sua cama,
dou-lhe um beijo de boa noite.
Aos que morrem isso é permitido!
Vagar...
Sim, vago...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Alegricidade

Descobri que alegria e felicidade não tem o mesmo significado

E que tristeza, é uma toalha de mesa suja e rasgada!

Alegria é acordar de manhã e lembrar que é sábado!

                               Felicidade é acordar!

Alegria é bala de goma dentro do ônibus!

                               Felicidade é voltar pra casa!

Alegria é um silêncio de paz...
   
                               Felicidade é ouvir o vento...

Alegria é achar dinheiro no bolso da calça suja!

                               Felicidade é trabalhar com o que se ama!

Alegria é o último miojo do armário!
                             
                               Felicidade é matar a fome...

Alegria. Alegria é apanhar acerola no pé!

                               Felicidade é o vermelho-maduro!

Alegria é uma nota solta...

                               Felicidade é uma acorde maior com nona!

E com alegria faz-se uma mesa farta! Uma mesa de encher os olhos!
Os aromas! O brilho das taças cheio do melhor vinho que se tem! E o melhor vinho,
é o que se tem!

Tantos sabores estendidos, ao alcance das mãos, que só mesmo um ser amargo repararia
na toalha de mesa...

Sim eu sei o que é alegria!
                                                   E entendo o que é tristeza...
Mas a felicidade é tão simples, que mesmo tendo exemplificado, eu jamais saberia
explica-lá.