quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Estação

Na estação eu espero
Quem sabe ela esteja
no último vagão
do último trem

Aqui faz frio
ninguém pra conversar
todos a espera
de alguém que partiu
e que pode nem voltar

descem pessoas
e enquanto te procuro
me perco, me afasto
A esperança quer partir
antes de você chegar

Talvez você não venha
Em nenhum vagão
E que na verdade eu tenha
Que colocar meus pés no chão

Espero até a força se exaurir
até o meu último sorriso
enquanto eu suportar o peso
dos meus sonhos

E depois. E depois?
Se não vier
está noite
Parto amanhã
no primeiro trem
parto como quem não quer partir
contudo parto
sem nada
deixo o que ainda sinto na estação
pra nunca mais por os pés
nesse lugar , que me lembra o esperar
ouço o apito do trem
é o último que me interessa...
depois disso, perco a pressa

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dor



Cansei de viver paixões.
Da anestesia dos sorrisos.
Meus olhos se cansaram das cores.
Cansei dos abismos que construí
e das celas que me abriguei

Cansei das coisas fartas
cansei de manter a ordem
Nadar contra corrente
cansei de ser forte

Do doce me cansei
dos sabores nem sei
sei que cansei
de dizer que sei e nem saber

Quero uma dor crua
Amarga e fria
Uma dor verdadeira
dor de uma noite
ou de vida inteira

Quero dor que seja minha
Não dor que seja sua
Dor nossa não serve
Não quero dor que seja leve

E a dor que nasce do desejo
possa curar outras dores.
muito irá morrer
para que o que sobrar
seja verdadeiramente
Vivo

sábado, 8 de novembro de 2014

Preciso de você

Sinto sua falta
Não sinto ânimo de fazer nada
desde que você foi embora
Foi assim de repente
eu acordei e pronto!
Você tinha partido
Eu sei que em parte
A culpa foi minha
Me descuidei de você...
Não foi da noite pro dia
Como você já estava aqui
eu me esquecia
Hoje sinto essa dor que não passa
essa pressão no peito
essa falta de ar
Preciso de você!
E sei que ainda resta um pouco de você em mim
Correndo nas minhas veias
e sinto que a maior certeza que tenho
é que se você for embora de vez
eu morrerei
Não me deixe!
Não me deixe!
Volte Saúde!
Volte!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

3 reais

Amizade. É tão comum usarmos o termo "amigo" que esquecemos a profundidade do significado dessa palavra. Eu tenho "oitocentos e lá vai pedrada" de ""Amigos"" no Facebook... Mas quantos deles são reais? Alguns mesmo virtuais são reais!
No meio de um turbilhão de coisas acontecendo o amigo é aquele que segura sua mão olha pra você e diz: - Cara! Você está fudido! Mas estou aqui para o que der e vier!
Eu tenho poucos amigos. Cabem na palma da mão. E por serem poucos dou-lhes o máximo de atenção que posso. A gente perde amigos também... e não há dor maior. Perdemos conversas, perdemos sorrisos, abraços, e perdemos toda uma infinidade de intimidades, coisas que só os dois entendem... mas não vou ficar nesse "chove não caga"...
A amizade torna a vida menos rasa, e mais rara, e por isso mais valiosa!
Um desses poucos amigos é Leonardo S. S. um cara sensacional, de uma sensibilidade incrível. Parceiro de alegrias e tristezas! Coloco-o em cada fria! Esse final de semana fui tocar em um casamento... lugar longe...
Chegamos mais cedo e ficamos em uma praça vendo o movimento das pessoas. Olhando carros, bundas, cães e crianças.
Estavam uma turma de crianças chutando garrafa... elas viam uma bola... mas eu que virei adulto enchergava uma garrafa...
E eu vi que o mundo foi me tornando sério... quadrado... e mesmo que eu lute contra isso, de alguma forma aconteceu! Eu via tantos "perigos" enquanto eles brincavam! Era o dedo passando perto das pedras. Era menino entrando debaixo da cama elástica! Meu olhar adulto só via o lado ruim das coisas...
Enquanto eu e Leonardo ríamos de tudo, ele teve uma idéia. Me chamou para atravessarmos a rua e me pediu 3 reais emprestado... Comprou uma bola de plástico e presenteou a mulecada...
Foram os 3 reais mais bem gastos da minha vida! Nasceu uma alegria rara ali. A garrafa milagrosamente havia se transformado numa bola. E a bola correu solta... E ninguém se machucou...
Se olhassemos mais ao nosso redor iriamos perceber que pequenos gestos podem mudar a realidade. Fazer um pouquinho... Um bom dia sincero. Um sorriso. Um abraço. Saírmos desse mundo "virtual" e ver o que acontece aqui fora, aqui dentro...
Quero o olhar que perdi, voltar a ver "bolas em garrafas"...