sexta-feira, 2 de junho de 2017

Espelhos

Ando pé ante pé
Num labirinto de espelhos
esse rosto... hum... eu já conheço!
Quem sabe eu mude se olhar em outro espelho...
Minha solidão não tem nome
não tem endereço, nem adereço
não me enfeita, não dita
não silencia, nem grita
Mudo de roupa
envio cartões
e por mais que eu aponte mil direções
estou sempre ali , esperando me ver novo
olhando em outros espelhos
O erro é simples e a teoria não é minha
talvez só hoje tenha caído a ficha
dessa busca que nunca termina

Esperança que se renova
se perde
se vê refletida
 renovada
 outrora perdida
Espelhos, espelhos...
e eu rindo dos índios...
Fechar os olhos
não cria verdade
olhar sem ver
só alimenta vaidade
então pra que ando
pé ante pé?
A pé?
Pra me ver refletido
em movimento
vendo meu corpo
trocar de espelhos?
Quero apenas me ver diferente
quando isso aconteceu
o que mudara não foi o espelho em minha frente
(quem muda é a gente...)
A solidão sem nome
A saudade sem pele
podia ter sido Maria ou Joana
provavelmente eu transformaria
em drama
em amor platônico
em Romeu e Julieta
em casos de família
Em treta...
Espelhos
Apenas me mostram
Não querem que eu acredite neles
Eles por natureza nem sabem o que são
só são, quando são
Agora vejo